Fundação

HISTÓRIA, uma razão de ser!

Um sonho

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen

Foi uma verdadeira revolução! Não rolaram cabeças, nem se eclipsou o Sol, mas para que o dia fosse grande, bastava a ideia a nascer de que alguma coisa tinha de mudar. Também foi assim a história da nossa razão de ser como associação.
Estava a Isabel Rilvas em Nova Iorque a acompanhar o marido diplomata, quando percebeu que a valorização pessoal da mulher do diplomata deixara de ser uma miragem. Em 1979 inscreveu-se nas actividades então disponíveis na ONU e aproveitou para reunir toda a informação útil para lançar a semente em casa.
De volta a Portugal em 1981 veio encontrar o terreno fértil. O 25 de Abril já de algum modo revolucionara o estatuto da mulher portuguesa, que passava a poder dispor de liberdade de associação e expressão. Chegara a hora das mulheres dos diplomatas portugueses usufruírem desse direito. Este movimento sem precedentes deixou o MNE estupefacto. Não obstante os ventos da época, nem a Isabel Rilvas escapou à fama de “perigosa sindicalista”, chegando a ser aconselhada a desistir da ideia…
Havia, no entanto, quem pensasse de modo diferente. O Ministro de então, Prof. André Gonçalves Pereira depressa percebeu que uma associação deste género “iria valorizar a carreira”. Os Embaixadores João Hall Themido e Hélder Mendonça e Cunha, na altura Secretário-Geral e Chefe de Protocolo, não hesitaram em ceder uma sala do Ministério para as reuniões. Foi preciosa, nesta fase incipiente, a ajuda da Maria Clara Marques Guedes, secretária do protocolo, para resolver questões de intendência (convocação de reuniões, correio, telefonemas, etc) e chegou-se a usar, por algum tempo, as instalações da Associação dos Diplomatas.
Entretanto a carreira diplomática tinha sido aberta às mulheres. A Dinah Azevedo Neves foi a primeira entre as pares, além de colaboradora activa dos ideais associativos. Para amadurecer ideias, ouviram-se com proveito as experiências das mulheres de diplomatas estrangeiros que se encontravam em Portugal. A receita do sucesso estava dada. A Sala de Banquetes do Protocolo do MNE no dia 1 de Junho de 1981, data da 1ª reunião, rebentava pelas costuras!

Uma realidade

Chegava-se a acordo sobre objectivos e actividades. O alvo era dignificar, valorizando, a figura apagada da mulher, mais tarde do cônjuge do diplomata. A associação, sem fins políticos, seria uma forma de intervenção junto do MNE, na defesa e promoção dos interesses da família do diplomata, nas áreas da saúde, da educação, nas situações específicas de emprego, reforma, viuvez e divórcio. Por outro lado, o natural espírito gregário daria os seus frutos, criando maior solidariedade entre os associados unidos pela mesma condição e perante as dificuldades específicas da carreira.
As actividades decorriam dos objectivos. Para ouvir o saber de experiência feito, nada como contactar as associações congéneres e participar em conferências internacionais. Para uma melhor preparação dos associados, permitindo-lhes dar testemunho da cultura portuguesa quando em missões no estrangeiro, valia a pena organizar uma biblioteca, basicamente com clássicos portugueses traduzidos para outras línguas. Reunir informação de carácter prático sobre os postos e missões portuguesas no estrangeiro (Post-Report), apoiar as mulheres estrangeiras de diplomatas portugueses, no seu regresso a Portugal eram objectivos igualmente importantes. Também só poderia ser salutar o contacto com as embaixatrizes estrangeiras acreditadas em Portugal e assim começaram as visitas guiadas a museus, palácios e outros monumentos em diversas cidades portuguesas. Além disso, destes encontros informais nasceu o desejo de levar a cabo qualquer coisa de maior, um gesto de beneficência que todos os anos, desde 1983, se traduz na realização de um Bazar do Corpo Diplomático. A Dra. Manuela Eanes apoiou incondicionalmente o projecto que, desde então, tem contado com o patrocínio da Presidência da República.
Chegada a hora de elaborar os estatutos, as juristas da casa (Luísa Castilho, Liv Brito Câmara, Maria José Paulouro das Neves, Margarida Benito Garcia, Maria Helena Malheiro, entre outras) meteram mãos à obra. A 30 de Junho de 1982, os estatutos foram finalmente aprovados e a associação reconhecida no 21º Cartório Notarial de Lisboa, ficando uma comissão instaladora encarregue da recém-nascida até às primeiras eleições, dois anos mais tarde.
Quando em 1985 se iniciou a Conferência das Associações de Cônjuges de Diplomatas da Comunidade Europeia (ECFASA), a nossa ACDP ganhou novo alento e reforçou o reconhecimento como verdadeiro representante da família do diplomata junto do MNE.
Mudam-se os tempos, mantêm-se os objectivos, desenvolvem-se as actividades. Vinte anos volvidos sobre a data da sua fundação, a ACDP passa a estar disponível on-line www.acdp.pt.